O que são os OGM

A produção de alimentos enfrenta desafios crescentes devido ao aumento populacional, às mudanças climáticas e às limitações naturais do solo e da água. Para atender à demanda global e melhorar a qualidade nutricional dos alimentos, os cientistas têm recorrido a novas tecnologias, como a engenharia genética.
Essa abordagem acelera o desenvolvimento de culturas com características desejáveis, como a resistência a pragas e os melhores rendimentos, em comparação com métodos tradicionais de reprodução, que podem levar anos.
A aplicação dos OGM permite que os cientistas insiram genes de diferentes organismos em plantas, o que aumenta suas habilidades, tais como a tolerância a herbicidas e o aumento do valor nutricional.
O processo de produção de um OGM
Identificação do gene
Nesta fase inicial, os cientistas começam por definir qual é o problema ou objetivo agrícola: aumentar rendimento, resistir a pragas, tolerar herbicidas, melhorar o valor nutricional, resistir à seca, etc. Depois, procuram um gene que possua essa característica desejada. O gene é então isolado e estudado para garantir que realmente tem potencial para funcionar no organismo que se pretende alterar. É uma fase longa e cara porque envolve muita pesquisa, testes laboratoriais e seleção rigorosa.
Proof of concept (Prova de conceito)
Depois de identificar o gene, passa-se a verificar se ele funciona na prática.
Nesta fase, os cientistas copiam o código genético que contém essa característica e inserem-no na planta que desejam melhorar. Em seguida, os cientistas cultivam essa planta numa estufa de investigação para ver se ela adota a característica desejada.
Desenvolvimento
Os OGM são testados durante cerca de 5 anos para garantir que são seguros para cultivar, seguros para comer e seguros para o ambiente. nesses testes é analisado o comportamento do organismo em condições mais próximas da realidade.
Pré lançamento
Depois de comprovada a segurança e eficácia onde toda a documentação científica é entregue às autoridades reguladoras, ocorre a avaliação e aprovação oficial. se o produto for aprovado inicia-se a produção em larga escala e definem-se estratégias comerciais e campanhas de marketing
Vantagens
As culturas geneticamente modificadas podem contribuir para a redução do custo dos alimentos e para o aumento do seu valor nutricional
Devido a sua resistência contra as pragas e a sua tolerância a herbicidas, a quantidade de produtos químicos aplicados ao solo é mais reduzida.
Algumas variedades são desenvolvidas para suportar condições adversas como seca, salinidade elevada, temperaturas extremas ou inundações, aumentando a sobrevivência e produtividade das plantas
Desvantagens
diminuição da biodiversidade: por vantajoso para os produtores as plantas OGM tendem a ser plantadas de forma extensiva, o que diminui a diversidade de espécies e variedades nos campos.
Plantas e insetos têm desenvolvido resistência aos herbicidas e pesticidas associados aos OGMs, tornando o controle agrícola mais difícil
Transferência de genes: refere-se à possível transferência de genes de alimentos GM para bactérias no trato gastrointestinal ou células do corpo com o potencial de afetar negativamente a saúde humana
Apesar dos OGM estarem mais associados às plantas geneticamente modificadas, também existe animais e microrganismos geneticamente modificados.
Nas últimas décadas, devido ao avanço da biotecnologia tornou-se possivel modificar geneticamente diferentes organismos. Embora sejam mais frequentes associados às plantas na alimentação também existe animais e microrganismos geneticamente modificados.
Animais
Os animais possuem sistemas biológicos mais complexos e um conjunto genético mais extenso, o que faz com que a sua modificação genética seja um processo mais delicado e tecnicamente exigente. Para que esta modificação ocorra, é necessário intervir diretamente no material genético do animal, podendo adicionar, alterar ou eliminar determinadas sequências de DNA.
Atualmente, existem várias técnicas genómicas que permitem modificar características já presentes nos animais, bem como introduzir novas características consideradas vantajosas. Entre os objetivos destas técnicas destacam-se o aumento da resistência a doenças, a aceleração do crescimento e a melhoria da produção de alimentos de origem animal.
O DNA é responsável por armazenar a informação genética que determina as características hereditárias dos organismos. Desta forma, as alterações realizadas no genoma de um animal podem ser transmitidas aos seus descendentes.
Microrganismos
As bactérias podem ser modificadas em laboratório para adquirir novas funções ou produzir substâncias úteis, como medicamentos, vacinas e enzimas. Para isso, os cientistas inserem, alteram ou removem partes do seu material genético usando técnicas que permitem que o DNA seja cortado e reorganizado de forma controlada.
Dependendo do tamanho da alteração, os cientistas podem trabalhar com pequenas sequências de DNA. Depois de modificadas, as bactérias podem expressar novas características, como resistência a determinadas condições ou capacidade de produzir substâncias importantes.
Este processo permite que as bactérias sejam usadas de forma eficiente na medicina, na indústria alimentar e em pesquisas científicas, aproveitando a sua rapidez de reprodução e facilidade de manipulação.
